sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Manifestações culturais


Como é próprio das cidades e/ou comunidades menores do interior de Minas Gerais, as manifestações culturais, quase sempre, se caracterizam ora por uma aura de intensa religiosidade e sacralidade, ora por elementos bastante pitorescos que explicitam a riqueza e a diversidade do imaginário, do comportamento e das redes de solidariedade tão interessantes que essas localidades cultivam – algo hoje, infelizmente, em processo de extinção. Carmo do Cajuru, tem os seus principais eventos religiosos durante a Semana Santa e na festa da Padroeira de Nossa Senhora do Carmo, bem como o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Angicos, no mês de setembro, num dos distritos do município. A tradição das festas religiosas teve como seu grande continuador e arauto o Cônego José Parreiras Villaça. O município de Carmo do Cajuru possui diferentes formas de expressão de sua cultura, com características peculiares que se apresentam em diferentes aspectos da vida local, presentes nos modos de ser, agir, pensar e se expressar dos diversos segmentos da sociedade, tanto na área urbana quanto na área rural. Algumas dessas manifestações mais expressivas são as festas, celebrações e culinária local, que em alguns casos tem sua origem anterior à formação do próprio município.


Na Quarta-Feira Santa, dia da Encenação do Quadro Vivo, realiza-se novo Solene Ofício de Trevas e a comunhão eucarística. Logo após, passa-se à Encenação propriamente dita, com as cenas sendo realizadas nos dois palcos montados no Calvário da Praça de N. Sra. Aparecida. 


A Guarda Catupé Nossa Senhora Aparecida de São José dos Salgados, fundada na tradição de congado de Carmo do Cajuru, apresenta-se ao longo do ano em datas comemorativas, destacando-se a Festa de 13 de maio, realizada em homenagem à abolição da escravatura, e de Nossa Senhora de Fátima, geralmente comemorada no terceiro domingo de maio no distrito de São José do Salgado. Essa tradição foi fundada na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Carmo do Cajuru criada na segunda metade do século XIX. 

A Festa de 13 de Maio é realizada na capela primitiva do distrito, numa tentativa de resgate das tradições locais. A festa é precedida pela instalação de dois mastros no adro da igreja com as bandeiras de Nossa Senhora Aparecida, padroeira da Guarda de Catupé, e de Nossa Senhora de Fátima, santa homenageada do dia, uma semana antes das comemorações, marcando o início da celebração. Esta é a expressão do sincretismo da cultura brasileira, reunindo uma comemoração laica (abolição da escravatura) e um evento religioso (dia de Nossa Senhora de Fátima). 

Durante a festa, reúnem-se diversas guardas de congado da região, provenientes de municípios vizinhos, como Divinópolis e Patos de Minas, mas também de cidades distantes, como Brasília, que saem em cortejo pelas ruas do distrito, finalizado na capela matriz de São José do Salgado, onde ocorre a coroação de Nossa Senhora de Fátima.As coroas são adquiridas por aqueles que desejam ser príncipes e princesas no Reinado e permanecem em suas residências. Durante o festejo, as guardas de congado vão ao encontro desses príncipes e princesas, buscando-os em suas casas. O séqüito sai, então, em direção à praça da capela de São José do Salgado, onde se reúnem. No templo é celebrada uma missa conga e os ritos são finalizados com a coroação de Nossa Senhora de Fátima.

A Guarda Catupé Nossa Senhora Aparecida de São José do Salgado constitui uma importante e tradicional expressão cultural do distrito, incorporando as necessidades religiosas, culturais e sociais de seus moradores e atuando como significativo elemento da cultura da comunidade, no que tange ao resgate e à reinterpretarão de suas tradições.

O valor cultural dos Doces Artesanais produzidos por Maria Helena Souza Diniz é atribuído à sua forma artesanal e caseira de se produzirem doces. Sua técnica é representativa de um modo de fazer tradicional no Estado de Minas Gerais, atualmente concentrado nas áreas rurais, na medida em que o espaço urbano foi dominado por produtos industrializados. Nesse sentido, destaca-se seu processo de produção, da matéria-prima à embalagem. As frutas utilizadas como matéria-prima, são adquiridas de diversas maneiras, de acordo com a facilidade de acesso, em feiras, em fazendas da região ou colhidas em seu quintal. Maria Helena Souza Diniz iniciou a produção de doces para comercialização há pouco mais de uma década. Tendo em vista seu êxito na produção de doces, Maria Helena passou a sustentar a família somente com a fabricação de sua especialidade, investindo paulatinamente nos materiais utilizados no armazenamento da produção, em novas receitas e nas maneiras de fabricação.

A Dança da Fita do distrito de São José dos Salgados teve início na Escola Estadual Melquíades Batista de Miranda em 1986. Originalmente, até o final da década de 1980, o grupo era composto somente por alunos da Escola Estadual Melquíades Batista de Miranda de São José do Salgado, pois foi criado naquele contexto escolar. Mas, atualmente, conta também com a participação de outros moradores do distrito. Os ensaios, assim como as apresentações ocorrem, na maioria das vezes, na quadra de esportes da escola estadual local, onde é utilizado um mastro de rede de vôlei, pois a celebração teve origem na escola estadual local e são utilizados os recursos disponíveis. Participam da dança doze componentes, seis casais ou mesmo seis mulheres, na medida em que a participação masculina não é muito concorrida no distrito. Estes se posicionam de frente para o mastro e, ao soar o apito do capitão, responsável pela coordenação do grupo, inicia-se o entrançamento das fitas. Em movimento circular ao redor do mastro, os casais vão traçando as fitas, passando-as uma debaixo da outra. Quando a fita de cada participante está totalmente trançada no mastro e este encontra-se coberto, o capitão novamente faz soar o apito e inicia-se o destrançar das fitas. As canções executadas não são específicas da dança, apresentando cada região uma música própria. A participação da população local é bastante intensa, o que pode ser observado com a entrada de recursos durante a Festa do Folclore realizada pela Escola Estadual, quando é cobrada uma taxa de entrada na escola aos assistentes. Durante o evento são montadas barraquinhas com recursos da escola, que comercializam comidas e bebidas




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